Pandemia do Novo Coronavírus: a ressignificação das relações familiares

 

A Pandemia do Novo Coronavírus reconhecida pela Organização Mundial de saúde, desde 11 de março, provoca inúmeros reflexos, de modo a demarcar uma ressignificação das relações familiares.

Podemos analisar os reflexos da Pandemia nas relações familiares a curto, médio e longo prazo.

Além disso, importante abordar os reflexos e estabelecer um contraponto entre aspectos favoráveis e desfavoráveis, de modo que se possa falar em novos significados nas relações familiares.

A curto prazo, o isolamento social, recomendado pelas autoridades de saúde a fim de evitar a disseminação do vírus, toca em ponto sensível das relações familiares, que é a convivência entre os entes.

As relações familiares na contemporaneidade são moldadas por laço afetivo, que são desenvolvidos e fortalecidos com base na convivência familiar.

A Pandemia provoca grandes alterações na convivência familiar. A começar pelo convívio mais intenso entre casais, que, em sua maior parte, cumprindo quarentena, estão praticamente as 24 horas do dia em contato em casa.

É evidente que este convívio intenso entre casais produz inúmeras consequências que podem levar a essa ressignificação das relações familiares. Se de um lado, pode-se considerar que é na intimidade que aparecem os maiores conflitos, é também na adversidade que muitas relações se fortalecem.

Assim, a relação entre cônjuges e companheiros serão certamente afetadas, seja pelo desgaste ocasionado pelo convívio intenso, mas, de outro ponto, a necessidade de desenvolverem a tolerância e um diálogo qualificado, requisitos para manter a união e a solidariedade familiar.

Ponto favorável desta convivência mais intensa é em relação aos filhos que estão com os pais em casa, fortalecendo os vínculos socioafetivos. Os genitores, principalmente nos grandes centros urbanos, normalmente, passam a maior parte do dia em seus ambientes de trabalho e no trânsito, enquanto os filhos menores ficam em creches, escolas ou com babás.

Dessa forma, os próprios pais estão tendo um momento ímpar para participar ativamente da criação e desenvolvimento dos filhos menores, ao desenvolver novas habilidades, descobertas do mundo infantil que são tão sadias na relação paterno filial.

Também a relação avoenga – entre os avós e netos – foi diretamente impactada pela Pandemia, pois os avós, em sua grande maioria já idosos, fazem parte do grupo de risco, que segundo autoridades de saúde devem se manter isolados, para evitar contaminação. Assim, os avós estão privados desse contato físico com seus netos, o que impõe um enorme sacrifício e o contentamento com comunicação à distância, pelos meios virtuais.

A médio prazo, pode-se destacar como reflexo da Pandemia a inadimplência da pensão alimentícia, em virtude dos efeitos da crise econômica que marca o momento atual. Desse modo, surgirá a dificuldade do devedor de alimentos em quitar a pensão alimentícia pelo comprometimento de sua renda ou até mesmo pela perda de seu posto de trabalho.

Certamente, é o momento da resolução consensual dos conflitos familiares como a dívida alimentar, com base na proporcionalidade e razoabilidade, observando as circunstâncias do momento atual que exige, mais do que nunca, um comportamento leal e transparente de credores e devedores de alimentos.

A longo prazo, as relações familiares poderão ser transformadas com o desmoronamento de muitas famílias, em virtude da possibilidade do aumento de divórcios e dissolução de união estável. A própria convivência intensa, dificuldades econômicas e o desequilíbrio emocional advindos do período de Pandemia, poderão se tornar campos férteis para a dissolução de sociedade conjugal e para desfazimento de união estável.

Em contrapartida, o aprendizado e a lição que os entes familiares estão recebendo, por estarem vivendo em situações totalmente excepcionais, certamente marcarão uma nova fase em que um simples abraço demonstra a ressignificação das relações familiares.

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GIZELDA DE JESUS CRUZ MENEZES
GIZELDA DE JESUS CRUZ MENEZES
4 meses atrás

Excelente texto!!
Peço licença para compartilhar!!

ALESSANDRA ROSA DE PAULA DANTAS
ALESSANDRA ROSA DE PAULA DANTAS
4 meses atrás

A pandemia está na ordem do dia, além de mexer com as relações familiares, ela vai além.Nessa crise instaurada, por exemplo, o direito à liberdade de locomoção, o direito de ir e vir será limitado. Esse direito não poderá por ora, ser evocado mediante a real necessidade que justifique sua decretação. Considera-se na atual perspectiva de pandemia, uma vez que o cidadão não vive isolado e suas liberdades são exercidas no seio da sociedade, a necessidade de um vínculo de cooperação social.

Gabriel Bruno
Gabriel Bruno
4 meses atrás

É uma situação atípica. Em minha opinião nenhuma decisão radical deve ser tomada. É hora de ser paciente e aguardar. Até mesmo as normas estão e terão que ser flexibilizadas.

Gleyson Juan Carneiro Ramos
Gleyson Juan Carneiro Ramos
4 meses atrás

Excelente artigo. Além dos problemas conjugais citados acima, fica ainda a ressalva dos relacionamentos abusivos e do aumento dos números de violência doméstica, que estão atingindo números alarmantes. Neste momento, se mostra a grande empatia que muitos sites, aplicativos e outros, possuem. Em que disponibilizam o próprio espaço para que seja possível fazer denúncias a respeito de abuso doméstico.

André Wallacy S. Martins Lima
André Wallacy S. Martins Lima
3 meses atrás

Ótimo artigo ! Com a pandemia do coronavírus, e consequentemente com a implementação do isolamento social, as relações familiares se intensificaram bastante, como próprio artigo cita, por um lado pode ser até favorável, mas por outro, poderia gerar resultados negativos, pois a convivência diária ,problemas financeiros e relações conturbadas assombrariam aquela lar. Portanto, num momento como esse, é necessário uma maior empatia e solidariedade entre as pessoas.

Ana Flávia Ferreira Santos Brant
Ana Flávia Ferreira Santos Brant
3 meses atrás

Realmente as relações familiares estão muito abaladas nesse momento de crise que estamos vivendo. É importante a preservação da saúde mental para que exista uma boa convivência entre os entes, e o entreterimento de todos os âmbitos artísticos está cada vez mais presente para essa conservação da saúde mental. A arte se mostrou extremamente necessária durante a Pandemia, ajudando principalmente na relação afetiva entre os pais e os filhos.

Talita Cristina
Talita Cristina
3 meses atrás

Excelente texto. Temos que refletir e ter mudanças significativas em nossa rotina.

henrique de araujo baldez
henrique de araujo baldez
3 meses atrás

Realmente, em virtude da quarentena aumentaram os casos de violência doméstica como também divórcios devido ao convívio diário. Excelente texto.